Minhas palavras ao chegarem
por vezes soam ríspidas
como pedra de amolar faca
solto-as com a firmeza que julgo aguentar
penduro-as no ar
como quem projeta a imagem
que desfocada se faz
e somente julgo compreender
porque na desmazela
da furiosa ventania
prefiro me alimentar da verdade
dura e autêntica que amola facas
prefiro-as de frente
como que reluzindo sua existência
a ser o alvo do golpe
que no escuro inexplicável
se projeta
no escuro que pelas costas atinge
prefiro o golpe da verdade dura
à frustração de crer
numa verdade vã
.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Até o vento tem memória de passado
Trafegava dessa vez em curvas tempestuosas e planicies galgadas, como por vezes fazia. E como quem desbrava em ritmo comum, ia... Em sinal verde dirigia com a segurança de um bom olheiro, daqueles que no além depositam seu foco, pois em seus caminhos os trajetos se faziam intimamente ligados, como um conhecimento apenas premeditado.
Sabia internamente seu poder em saber valer a idéia, por isso também, fazia de atalhos seu grande lance de sorte (atalhos reduzem um tanto os muitos caminhos que concluem). Pelo atalho, numa repentina forma, tudo se desvenda com a astúcia que finda. A última palavra chegava encerrando um dos tantos trajetos.
Gostava do vento que batia em sua face e sabia que isso aguçava também um tanto de aventura. E por vezes pisava, acelerando com curisidade o que se fazia de aventura e de vento. Correndo com a sagacidade de quem quer e vive e com o querer de quem na intensidade chega.
Mas até os lances de sorte que acompanham-se de atalhos e sinais verdes se gastam. E num desses bordejos, daqueles que janelas bem abertas olham tudo o que passa, e o vento a recebe apenas como a intensidade naquilo que bate e passa causando boa sensação, ela enfim se rendeu e passou a faixa do que é fixo.
O amarelo se desfez inconstante de atenção e o vermelho se apresentou, tingido, profundo e permanente, enquanto ela ultrapassava aquela marca dos caminhos. Caminho tem sua hora de chegada, tem sua hora de partida.
Até o vento tem memòria de passado...
Recebeu a multa de quem apressadamente se faz além e não teve a última palavra, apesar de o ter achado primeiramente. Pra ela ninguém errava por querer - Esse é o argumento, seu guarda.
E foi ele, um sábio ou apenas um guarda de trânsito que disse-lhe que ninguém errava por querer mas era preciso ter cautela, porque sinais amarelos mostram-se dianteiros à verdade que vem e - É preciso ter cautela dona moça.
Ela ao fazer não percebeu a grandeza que ultrapassou, não por hora. Mas quando perpetuou aquele momento enfim descoberto, cocluiu que sinais existem mais do que para evitar falso atalho, eles tornam os lugares de alguma forma subjetiva existentes e verdadeiramente fluídos como tudo que se faz em vida. E desta vez sendo um falso atalho, precisou o maior caminho para que percebesse.
Ela queria correr com o vento e o sinal se punha vermelho, rubro, sangrando.
domingo, 28 de novembro de 2010
O último trago
Aqui, com um tanto de fome, o último cigarro olha pra mim como quem sacia sem esperar a morte.
É o último e eu já estou inserida nesse desejo. Antecipadamente penso no que me falta e ainda existe. Antecipada, a mente traga o que se apresenta em memória de outrora e conduz.
É o último. Com um tanto de fome olho pra mim em resgate daquilo que deixei-me esquecer. Ou matei como brasa que incendeia e só como brasa alcança seu ápice... chama brilha, quando o vento atiça, leva rápido ao fim.
E quando só a luz dele é existente, quando só a luz dele canta em desenhos no ar, da ponta dos dedos numa trajetória que vai aos lábios e sacia a fome, esse reflexo em reflexão dança. E como ímpeto corriqueiro, se mata simultânea à última tragada. Que não é a única a ser derradeira, pois memórias sorrateiras também se apresentam em conclusão.
Últimos cigarros, memórias sorrateiras e conclusões sempre virão como quem sacia e espera a morte.
É o último e eu já estou inserida nesse desejo. Antecipadamente penso no que me falta e ainda existe. Antecipada, a mente traga o que se apresenta em memória de outrora e conduz.
É o último. Com um tanto de fome olho pra mim em resgate daquilo que deixei-me esquecer. Ou matei como brasa que incendeia e só como brasa alcança seu ápice... chama brilha, quando o vento atiça, leva rápido ao fim.
E quando só a luz dele é existente, quando só a luz dele canta em desenhos no ar, da ponta dos dedos numa trajetória que vai aos lábios e sacia a fome, esse reflexo em reflexão dança. E como ímpeto corriqueiro, se mata simultânea à última tragada. Que não é a única a ser derradeira, pois memórias sorrateiras também se apresentam em conclusão.
Últimos cigarros, memórias sorrateiras e conclusões sempre virão como quem sacia e espera a morte.
domingo, 21 de novembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Hoje me destes uma poesia como quem trafega em estrada curva desconhecida. Como quem trafega no desconhecido que na composição faz-se doce. Hoje me destes uma poesia. Dessas que esquentam a alma. Que preenchem a solidão. Que deixam a visão turva de beleza...
Te espero nos meus longos, curtos, curvos e muitos caminhos. E te conduzo.
Te espero nos meus longos, curtos, curvos e muitos caminhos. E te conduzo.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Teremos sempre paredes brancas para colocar novos cartões postais.
Estaremos
preparados
para
essas
paredes?
Prefiro saber de onde virão novos cartões postais.
O relógio de compromissos guardados, ressoam exalando tempos vindouros de uma Paulicéia desvairada ou de uma Pasárgada desconhececida, com suas estradas de tijolos amarelos de Dorote... ou nos jardins floridos de Alice a passear com a lucidez de Shihiro e com desejo avoador do João do pé de feijão. Porque em dias de chuva e sol, dias de casamentos de raposa e de major, a beleza é dada no espelho que desconstroi o que sempre vem a ser denominado pelo deus do ego.
Nós, sementes. Vida de peixe a nadar em laje de sol, de alimento de pássaro que, com pés firmes permitem-se voar numa cidade ainda desconhecida pelos sonhos. Que com pés firmes e asas abertas permitem-se semente também ser, sabendo que em paredes brancas também existem cartões postais brancos de uma coisa ainda por fazer.
Alana, Alex.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
DiLírio
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