Noite Senhora Porto e presente Magia Sangue Teia Bril. CorreRecorre aos tímpanos exaltados Corre na pele do semi deus Enluarado Mostra o caminho no chão Da casa onde se chega na hora avançada Ela se mostra como quem sorri E se põe como quem deita Lua Ao chamar os amantes Os grilos A mata Ao deitar-me com eles Derramo um tipo especial De canção Sentir diverso
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
eu céu - ria rio
no azul tinindo do dia
o rio preto comigo ria
uma rajada de vento manso
bateu e enlaçou
ele, eu
ele, eu
emergi então
da terra
dos pensamentos fixos
das pedras
e fui ao encalço rasante dos céus
das águas que rio:
teto de universo
não é concreto
me dizia o passarinho
domingo, 11 de dezembro de 2011
A Órbita do anzol (prelúdios da lua. Eu)
Deixe-me falar. Estou presa do prelúdio da lua cheia. Ela está no topo. Ela está lá, devidamente alinhada ao topo da minha cabeça. E não sei exatamente que perímetro. Sinto. Ela, alinhada, conduz seu anzol que está devidamente alinhado ao topo da minha cabeça. Brinca, dança lá de cima. Eu percebendo seu ferino movimento rotatório. É também fluido. Eu sinto porque minha cabeça pende da linha do seu anzol e eu estou dançando com ela. A linha que mede essa ligação é invisível. Como movimento de nós.
Nós dançamos juntas. Lá de cima ela me dança o pacto. Eu de cá espero sua face abundante, sem me ansiar. Se não. Se é. Então é. Nós dançamos comungadas pelo anzol. O anzol que apruma minha coluna arqueada. Ela me deixa mais bela. Alinhada a linha do anzol. Ela.
Eu ouço as pequeníssimas gotas prateadas e sólidas, sua borda preencher. Ela sabe da minha espera, mas me deixe dizer. Por vezes, é como que dançar só. Ela. Sái do topo o anzol. Minha coluna arqueada. Eu não me solto e por vezes dói. Continuo dançando como se ela não existisse depois do horizonte. Arqueada.
Ela me puxa mais uma vez. Agora é para que eu sinta a redoma do mundo nela. Eu só quero nascer novamente, mas tenho que esperar ela no topo. O mundo é muito e eu tenho muitas perguntas. Porque não sei ao certo como essa redoma foi criada. Então eu espero por ela e acompanho. Sentir. Ela. Lembro-me da face estéreo. Onde está Diana.
Flecha.
O arco que me puxa o topo da cabeça... A coluna arqueada.
Não a vejo. Sei das gotas sólidas a preencher. Prateadas. Quando ela me puxa do horizonte, sinto um golpe sinestésico. E ela me chega, novamente grandiosa. Suas próprias gotas sólidas de horizonte circular. Eu entendo um pouco mais. Vou dizer. Ela me puxa agora pelo topo até minha cabeça. Mas já fizemos o trajeto da rota do mundo.
Agora ela me puxa o topo da cabeça e o sexo. Me derrama a subjacência do clarão das fogueiras. O sangue que agora bebo. Menâdes. Eu danço, prateada e abrasada à minha lua. Nesse momento eu transformo nosso anzol em algo visível. Condutor de nós.
sábado, 10 de dezembro de 2011
- Sou de lua
A lua, trova redonda,
que a noite canta no céu
nos perenos versos
dessa noite ao léu
que a noite canta no céu
nos perenos versos
dessa noite ao léu
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terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Ode àÔ Guebó
É mundo o moinho
palavra cata vento
não de mansinho
- de turbilhão
Eu vou recapitular
mi si dó lá
eu vou sentir
lá dó si mi
e no vento marujo
misturo um tanto
do que gosto
do que desgosto
mas eu gosto mesmo
é de estar por aqui
na misturas dos corpos
celestes
óculos
minha lupa pá pá
de mar
ressonância astigmata
acordeão dos tortos
corta pêlo
fica morto
e não pára de crescer
transformo os módulos
em ondulações
do passarim
que não pousou
vuou vuou...
(a-cor-dou-me)
palavra cata vento
não de mansinho
- de turbilhão
Eu vou recapitular
mi si dó lá
eu vou sentir
lá dó si mi
e no vento marujo
misturo um tanto
do que gosto
do que desgosto
mas eu gosto mesmo
é de estar por aqui
na misturas dos corpos
celestes
óculos
minha lupa pá pá
de mar
ressonância astigmata
acordeão dos tortos
corta pêlo
fica morto
e não pára de crescer
transformo os módulos
em ondulações
do passarim
que não pousou
vuou vuou...
(a-cor-dou-me)
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Também serei poeta de um mundo caduco.
Se o condutor pode ser guiado, quero aposentos no lar do meu país.O meu país está caduco. Quero comida que sacie essa fome. A vida. Quero preencher de substrato alguma alma vã. Penso mais uma vez nos transeuntes. Alarmados. Sós. Penso na flor do asfalto, só. No sorriso do homem que conduzia sua cria, quando catavam os restos do meu almoço e ainda me sorriam... sós.
Eles me fizeram pensar que entre o nada e a eternidade existe um intervalo... e esse intervalo ainda é eternidade. É fluido. Vida. Música cor de ar. Dessa que não necessita de visão, no entanto, toca: A incapacidade de qualquer outra obra de arte.
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(Acordar é ir-se para dentro)
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Tinha que existir uma pintura totalmente livre da dependência da figura - o objeto - que, como a música, não ilustra coisa alguma, não conta uma história e não lança um mito. Tal pintura contenta-se em evocar reinos incomunicáveis do espírito, onde o sonho se torna pensamento, onde o traço se torna existência.
Michel Seuphor
(Acordar é ir-se para dentro)
domingo, 27 de novembro de 2011
No encalço, A lucidez perigosa
Dela:
3:22am - Ela estava sentada na janela do seu quarto. Concentrava-se em ouvir a respiração da cidade moribunda. Não era difícil. Era confusão e aí se fez mais uma impotência. Alguns pensamentos se fragmentavam por demais altos na sua cabeça. Estava escuro lá dentro, no quarto. Desde os primeiros minutos da sua solidão não se convenceu daquele breu. Mas continuou, quase que numa tentativa de acionar qualquer luz na sua mente que vagava em impropérios. Não conseguiu.
03:48am - Como parecia difícil se desgrudar de qualquer vestígio, mesmo que artificial, de luz. Aquela escuridão era sua. Como o velo que transpassa a morte. Como nada. Um infinito vazio desdenhando seus passos trôpegos, amordaçados por uma cidade vazia e luz artificial.
03:50am - O candelabro estava no único lugar que a cidade, de lá, parecia querer desvendar. Mais um tanto de luz artificial. Ela, num reflexo moribundo como a cidade, avistou o candelabro no canto esquerdo do seu quarto minúsculo. Fazia tanto tempo que ele estava ali às teias. Percebeu uma necessidade. Não lembrou dele, nem em muitos dos seus momentos de torpor. Do divisível. Acendê-lo e preencher de vida o objeto morto da sua morada, parecia tão estranho visto dali. Sob a luz artificial. Era um ângulo de exaustão dormente. Era morte. Pensamento se movendo alto demais.
Dos corpos:
3:53am - Dispunha de dois palitos. Eram dois e estavam comungados na mesma caixa vazia. Pensou como um risco em não acender. Não gastar um palito ou outro. Tudo estava próximo, comungado e só. Eles, incapazes de alçarem suas próprias flamas um no outro. Ela, tão apática quanto sua própria existência...
Do símbolo:
3:57am - Um pensamento. Contemplou o fogo minúsculo se diluir e enfim, num vácuo quase ininterrupto não alcançar o chão da sua mente. Que infinita gravidade é pensar as vezes!
4:10am - E se a chama não inflasse? Enquanto pisava no encalço da sua mente sem preito, segurou um dos palitos. E numa reflexão pugnaz decidiu acender os dois. Pegou-os. Sim, estavam juntos. Era tão difícil sentir algo dali, no entanto aqueles corpos eram existência e... estava tão escuro. Eles de alguma forma que parecia compreensível na sua mente, eram divisíveis. Uma coisa na outra. Incendiada no ressoar de um pensamento vivo, pensou no nirvana de suas simples existências acesas.
4:12am - O fogo que ela procurava era uma chama que incendiasse, nem que em miligramas, o seu corpo vil. Nunca antes quis atiçar fogo naquele candelabro. Não. No entanto, se lembrou dele.
4:17am - Pegou a pequena caixa. Guardiã dos corpos. Olhou atentamente o candelabro empoeirado e assoprou três vezes. Como num movimento comungado, contemplou os objetos na sua frente. Primeiro o candelabro, depois a caixa e os corpos. Depois de perigosos minutos, ela entendeu...
Do quarto:
4:48am - O quarto naquele instante não era corpo. Nem objeto. Era flama tão suave quando impetuosa. Dançava em labareda ardente. A comunhão no fogo, tudo a um só tempo. Tudo se movendo em ardência e corrosão. Ela não viu outra saída para si. O silêncio agora ardia em estalos finos, faíscas dançantes saiam - da sua janela pra cidade moribunda. O escuro continuava em algum ponto inalcançável. Estava entre o fogo. Nenhuma luz artificial no candelabro. Nem corpos. Nem objetos. Nem mesmo o equivoco da fala que faísca apressada, nos corpos. As palavras ressoaram nela sem o fragmentos de outro instante. Era sua a maior voz. Assim, deixou-se queimar.
Eram as primeiras horas do dia em que o sol se alinhava a sagitário.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
CÁTODO
Na internet, carências,
traumas, sonhos e experiências são expostos mais do que para constituir a
identidade, mas para reafirmar-la à partir de ilustrações bem ornadas.
Cátodo aborda a relação do jovem com a tecnologia (em especial com a
internet) e o reflexo dessa gama de relações
interpessoais que são representadas a partir desse universo íntimo, de
características idiossicráticas da juventude contemporanea.
Com Mirela Gonzalez
Por Alana Barbosa e Isbela Trigo
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