do movimento
grávido de tempo
a forma de vida
dá vida à forma
acompanhe-te e descubra uma multidão
mais vale uma idéia advinda de ti
do que de um turbilhão
de faces inaudíveis
de frestas isoladas
do manto que cobre
a multidão de outros
que não tu...
acompanhe-te e descubra uma multidão
muitas vezes enfurecida
outras vezes canção
mas sempre tua
face de espelhos
sombras, anseios
um terreno isolado
a ser plantado
grãos
acompanhe-te e descubra uma multidão
dedos discorrem e do que se moldura
deuses e demônios presentes
como em qualquer lavratura...
quando o tempo marujo chega e a hora é demasiada
cometo o pecado original do sem erro
me vicio, me formulo
como uma página virada
na borda da folha, percebo
nada é tão real que possa perdurar
nesse dia sem sol
a queda é um passo
entre a guerra e a dança, que saiamos ilesos
da falta de virtude sem fala
do pecado nomeado, do nó
não da embarcação
um sopro de vento
vai longe
e não se sabe mais...
Não negue pros olhos
o que a mente demanda sedenta
Não precipite a sentença
É preciso lidar com as palavras
agourentas
que retiras de ti.
Cada esquina
se projeta ilesa
pelas horas silenciosas
dessa tarde que divaga
A fuga rotineira
dos corridos dias
contempla a cidade
vazia
.
.
Leve é a pena que transcreve no leito dos sonhos por vir
o motim do real contraposto assombra
a sombra do presente
mas do que vale a palavra se não surte efeito?
do que valem os sonhos sem a realidade eminente?
fazer da sombra leveza que contrapõe
regar os enseios como quem se dedica ao crescimento
urgir com o vigor as metas alcançadas
paLAVRA
faz do teu combate, luta que desarma
motim que emerge
da verdade que desloca
exala e modifica
pois leve é a pena.
__
sorriso
em lua arado
o prelúdio
da lua cheia
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A palavra que não muda
cansa
da repetição sem palavra
mudada
sem mudança
cansa
a palavra que não muda
e se repete
e se muda
se repete
palavra repetida que cansada
muda
cansa a palavra
muda
e não repete
..
Ando me alargando
saboreando
vivendo saberes
criando saberes
emergindo do lar
dos meus pensamentos,
de reminicências
acomodadas na sofá azul
tilintante
dos meus deletérios
e tudo vem se transformando
em inspiração
- inspiração pura que brota -
humano se mostra
no descompasso
de ímpetos forasteiros
e se declara
real e imperfeito
.
.