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terça-feira, 24 de abril de 2012


com o grande sol em mim 
caminhei, caminhei 
vi peixe saltar do mar 
menino mulato pular 
na beira de um grande altar 
e junto com ele 
num imenso fluido 
me banhei, me banhei
 
(Ponta de areia - Itaparica- BA)

segunda-feira, 16 de abril de 2012

se faz do ato ensaio
nada não
apenas projeção
de uma hora que já passa 
no segredo do universo



se salta fora da roda
nada além
faz do rito nos sentidos
a trajetória de ninguém
o em si esquecido

sexta-feira, 30 de março de 2012


'DAS LUCES E CONSCIÊNCIA'
Performance imagética apresentada no VISIO PONTO dia 03/03/12.
Performer: Alana Barbo
Fotos: Clarice Machado
Vídeo: Cristobal Leonardo Riffo
Como uma lua desnuda de nuvens 
esse é o caminho que vai
nas pastagens etéreas da noite... 
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palavra pedaço



Entre um intervalo 
e o recomeço
existe uma respiração


entre uma estação e outra
existe um intervalo 
transmutante de emoção


Quando os dentes trincam
eu peço socorro
quando o osso dói
eu peço socorro


Quando a palavra-pilastra quebra
na minha cabeça
eu, assim tonta, peço socorro


Tenho 15 pontos
costurados no meu braço


entre eles tem um intervalo


de dor




Tentei ser heroína
e estanquei o meu sangue


Os Deuses são heróis cegos
que não morrem, mas não vivem
realidade alguma


senti a sede dos sertões
depois me afoguei no meu mar
pra contrapor a Vida
Disso não lembro do intervalo


foi Morte 


Na minha pele entrou mar:
da força de um raio


pruma pele r a c h a d a


eu não pedi socorro


Também não lembro de recomeço algum
estou imersa em dentes trincados
em ossos pedaços
de uma terra seca


e não respiro.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

feito tela branca

Eu quero uma tela branca
sem precedentes,
sem referências, 
sem traumas, 
sem sucessos... 


nessa tela não existe 
a dependência do objeto 
e no objeto, a forma do título
mas uma forma que se traça 
por si só e não se comunica 
com a evidência ritmada, 
com os fatos, 
com o cordão umbilical 
que me lançou ao mundo. 


Eu vou agora ouvir o silêncio 
como a tela branca 
da existência melódica... 
a canção que existe e 
ainda está por ser 
tocada em mim...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

sem título


O que é estar dentro de outrem?
Sexo de quê?
Eu agora quero ser assexuada, vamos tentar?
Eu quero experimentar a outra camada do prazer. O não-gozo. Sua própria interjeição.
Eu faço da minha película mais fina uma fogueira, porque quando a visão se contorce, o calor distorce o desejo. Eu vou queimar ela inteira, até a célula morta.
Não me veja assim, pois eu posso partir para um mundo que não é meu e eu já vi. Quando penso nela em mim, sinto o rasgo e as partes todas se esfacelando em miúdos, os grãos que você ainda não viu.


Porque existe essa gravidade e ela faz dos alvos por si só, faísca de nada, cadência amortecida por terra infértil? Essa é a palavra que cala... e eu não vou calar. Eu vou imaginar agora uma faísca que não cai, nem dissipa, fica pendurada no ar, tal como a faísca em elevação de uma oferenda que atravessa a porta do sol.
Consigo ver-me em muitas daqui. Ainda como camada fina, mas agora eu cheguei na última, não aquela primeira que parece fácil de ver. Eu atravessei todas as camadas. Essa só se pode ver com o avesso e entre elas há um segredo... 
Escute bem, venho tentando comungar-me com o silêncio, mas eu fiz da minha casa uma fogueira e agora terei que adaptar minha visão ao calor do distorcido e minha audição aos estalos. Estou falando de uma desconstrução atrelada a desordem, a negação contraparte do sim. O oposto. O avesso de uma ordem e também sua interjeição.








continua...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

ParalEla

a aurora dos olhos
é o raiar do dia
é o saber mirar


é não a-diar
as feridas
as ardências
as cadências
como despertar


- vida -


a aurora nasce
dia - a - dia
mira
tentar romper o fio
é também se vendar


porque mesmo
com a vida por um fio
a cicatriz, menina
é o ardil
o fio que conduz
o novo olhar.

sábado, 21 de janeiro de 2012

conversão do ‘eu primeiro’


A cidade assola a mente 
é máquina, é dente corrosivo
Vultos certeiros sulgam a virtude 
do vulnerável arbítrio
E eu não negarei minha loucura
tampouco as serpentes do meu pulso


Não serei maga de um mundo caduco
De dentes corrosivos
Não serei maquina
Assim é que se mente
é o gosto acelerado do (não) viver


Não fecharei meus olhos ao te ver parindo
Catarata
Mundo findo


Eu quero ter voz onde não há passarinhos como aqui
e ainda assim cantarei
Minha epiderme reflexa a se lançar
- Sinto o giro...


É como estar no triz da existência a assolar
Porque enquanto me movo contenta, a balançar
Nos meandros do rio que encontro em mim
O beijo atroz do mundo se faz
na sede que mata a fome
e não se sacia


muitos somos, poucos vemos
umbigo, profundo umbigo
e uma lenta gestação


porque antes de tudo tem o tal umbigo
a mente, a máquina, o dente corrosivo
altamente convencido
de um mundo findo
onde poucos verão.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Noite Senhora Porto e presente Magia Sangue Teia Bril. CorreRecorre aos tímpanos exaltados Corre na pele do semi deus Enluarado Mostra o caminho no chão Da casa onde se chega na hora avançada Ela se mostra como quem sorri E se põe como quem deita Lua Ao chamar os amantes Os grilos A mata Ao deitar-me com eles Derramo um tipo especial De canção Sentir diverso

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

eu céu - ria rio

no azul tinindo do dia
o rio preto comigo ria

uma rajada de vento manso
bateu e enlaçou
ele, eu

emergi então
da terra
dos pensamentos fixos
das pedras

e fui ao encalço rasante dos céus
das águas que rio:

teto de universo
não é concreto
me dizia o passarinho