.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011



dente de trator
seio da terra
filho de concreto
.
.

domingo, 20 de novembro de 2011

sentido in verso

Não há dormência nesse sítio plácido
nem há estado plácido que permaneça um tanto mais
tudo se move
pequeníssimos fragmentos do instante
em comunhão, apresentam o inverso,
e no verso da descoberta
vejo o pacto
como que dançando só


Para isso não há esquecimento
nos ruídos dos transeuntes alarmados,
não há dormência
- Eu sinto, são fibras tensas
esse caminho é só mais um caminho,
e efeitos vários não naufragam o barco vazio,
esse é o sentido do vento invertido


Pequeníssimas gotas juntas abaixo
se pactuam num efeito maior
- e não há dormência
nem mesmo no caminho exaustivo
ele é demasia, beira a agonia e pede descanso


como é o balanço plácido do barco?
quando ele não se cobra em avançar
também avança?


Em um silencio mais perceptível,
num mar sem caminhos traçados
há o intervalo das ondas?


algum barco em silêncio
em meio a imensição em gotas, agora, se move?


e as condições inversas da dormência, comovem?

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

indissolúvel constante

Seria eu, recônditos tempos
senhora da hora que me afaga em densa tormenta?
estaria eu prestes a fugir desse limbo movediço
da imagem presente e vil,
para de alguma emersão ressurgir?


Naquele imaginado pretérito
os dias não eram assim mudos
a calma da hora não era motivo de agonia
eram sulcos de um lago plácido, era estado
e mesmo no seu demasiado conforto e palidez
era profundo


Das descoradas horas que se fazem incompreendidas,
um sumo de vértice pra algum ponto
não indica o passo, mesmo o perdido
apenas essa calma, que agora de nada é triunfante


E no Agora, que nem mesmo sei
nessa hora de insólito e indissolúvel constante
dou o meu inconsciente passo bambo
no Luna Parque, que ainda me mantém

sábado, 15 de outubro de 2011

A BICICLETA E UNS DESEJOS

Eu queria mesmo ter uma bicicleta
dessas que podem guiar o caminhar
que chegam perto do lugar
na forma de plularizar


eu queria ter uma bicileta
que me levasse pra bem perto - de mim
quando estivesse naquela calçada a divagar
no choro manso que escorre em valas
na minha cidade vazia,
ela me tilintaria algum despertar-lugar


assim, enfim seria
o movimento que secaria
antes mesmo de brotar


as duas rodas seriam meu passo
ao passo do que se pode alcançar
o banco seria meu assento
daqueles que só me cobram o repousar


e nas correntes, uma infinidade
de possíveis voltas:
as ladeiras que subirei,
o saber da marcha moldar
algumas horas, frearei
sentir de respiração que farfalha


e do saber esquivar
se por acaso
algum encalço desregular se anuciar:
eu só saberei enfim
quando a minha bicicleta
eu puder guiar.

domingo, 9 de outubro de 2011

Uma forma de arfar

Me encontro passeando em palavras tuas.Caminhos do pensamento abotoados em lembranças. Pensamentos que alinhavam os caminhos. O meu tempo no seu.
Nas bordas das folhas pequenos fragmentos anunciam sua vinda, enquanto eu caminho a fim de encontrar qualquer sonho deste lugar que de algo me preenche. A lua me olha em sua face quase completa: um despertar de abundante luz macia e mistério que salienta.
Cartas, bordões, janelas, papéis que se vão, imagens que ficam, uma menina, duas rodas de bicicleta, criações e descobertas.
Motins, frestas, calos e cicatrizes.
Horas selecionadas, lapidadas ao puro gosto das palavras.




Por vezes a chama do cigarro me tira o pensamento. Foco em como os fios rodopiantes seguem alto e evaporam num caminho qualquer. Assim que a chama se apaga, rodopio no meu próximo pensamento, que de um ângulo diferente ainda és tu.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

.
.
se cada passo segue sua rota
e a rota agora se faz
na permissão de sublimar
- o que me custa
num impulso leve
saltar?
.
.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A ROTA DO PONTO

a roda da hora não espera nem demora
de ponto em ponto só repete
- cada ponto no seu lugar

um que corre, ligeiro segundo
o outro a divagar...

e só quando os passos
se põem à deriva
- não o ponto do ponteiro
mas a unidade desmedida
é que o tempo
vira dimensão

ao sabor da rota
que se alinhava
de um ponto que se pensa

terça-feira, 6 de setembro de 2011

do movimento
grávido de tempo
a forma de vida
dá vida à forma


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

multidão de um

acompanhe-te e descubra uma multidão
mais vale uma idéia advinda de ti
do que de um turbilhão
de faces inaudíveis
de frestas isoladas
do manto que cobre
a multidão de outros
que não tu...


acompanhe-te e descubra uma multidão
muitas vezes enfurecida
outras vezes canção
mas sempre tua
face de espelhos
sombras, anseios
um terreno isolado
a ser plantado
grãos


acompanhe-te e descubra uma multidão

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

dedos discorrem e do que se moldura
deuses e demônios presentes
como em qualquer lavratura...


quando o tempo marujo chega e a hora é demasiada
cometo o pecado original do sem erro
me vicio, me formulo
como uma página virada


na borda da folha, percebo
nada é tão real que possa perdurar
nesse dia sem sol
a queda é um passo


entre a guerra e a dança, que saiamos ilesos
da falta de virtude sem fala
do pecado nomeado, do nó
não da embarcação


um sopro de vento
vai longe
e não se sabe mais...